22 agosto 2015

A vida por terras mais frias



Os dias por aqui vão ganhando rotinas. Parece mentira que só esteja a dizer isto passados 2 anos de chegar à Escócia mas é a verdade, custou.

Em Abril mudei de clínica. Uma mudança que só pecou por não ter sido mais cedo. Os horários intensificaram-se assim como o trabalho e as viagens mas vale a pena pelo bom ambiente que encontro nesta. Deixei o centro da cidade e agora trabalho numa cidade pequenina no meio de um vale e serpenteada por um rio. Tem uma rua principal que parece de filme de época e onde ficam basicamente todas as lojas que existem decoradas com todo o detalhe e primor. O resto são vivendas com jardins verdes.




Caracteristico de cidades pequenas, os pacientes aparecem-me no consultório no meio do horário de trabalho em jeito de "vou ali dar um saltinho ao denitsta e já venho", com as suas fardas de rotina desde a senhora do supermercado de cartão identificativo ao peito, ao senhor da contrução e as suas calças reflectoras. Conheço familias inteiras de uma vez e, mesmo sem querer, acabo por fazer parte da vida delas. Na rua, as crianças brincam à vontade como o faziam nos anos 50 e as pessoas cumprimentam-se e param à conversa. Parece que recuei no tempo.

Hoje, à porta do cabeleireiro estava um carrinho de gémeas tapado com o impermeável tamanho L, não fosse a chuva começar a cair de repente (o mais provável por aqui). A mãe, consegui-a ver sentada na marquesa das depilações. Realmente lá dentro não havia espaço para o carrinho. Há uns dias fui parada no passeio por uma pessoa minúscula. Estava a brincar sozinho, viu-me a passar, e atravesou a rua para vir falar comigo: "Guess what?" What? "My granny is baking for me today" Really? How lucky are you! "And you know what?" What? "My cousins are coming today and we are gonna play videogames together". I am sure you will have loads of fun! Sorriu, disse que sim com a cabeça e atravessou o passeio outra vez.

Acordo todos os dias às 6h (às vezes antes) e adormeço por volta das 22h. Apesar das horas teoricamente suficientes que durmo, chego à sexta feira à tarde como um atraso de sono fenomenal e, se não tiver programa marcado, caio exausta no sofá e durmo 3h seguidas. Acordo às 20 e começa aí o meu único serão da semana, este. Vejo um filme, leio ou, mais recentemente, retomo a escrita. Os pequenos almoços de fim de semana continuam dedicados à leitura que vou pescando durante a semana e não tenho tempo para acompanhar. 

Estou mais caseira que nunca e disfruto imenso do meu tempo em casa. O frio ajuda e o conforto da casa é dificil de resitir contudo, programas não me faltam e mini passeio sempre que posso.

Comecei uma Pos-graduação o ano passado que acaba agora em Novembro e apesar de estar a gostar não sei se darei o seguinte passo (Mestrado). Continuo a achar que a vida me pede outra coisa e quero descobrir o que é. Todos os dias tento agradecer a sorte que tenho (não imaginam a sorte que tenho), apesar de algumas vezes a distância e a solidão se imporem maiores que o resto. Estive há umas semana em Portugal, tive um casamento, e encheu-me de vida. A luz, o cheiro, a comida, as pessoas, a família... Há coisas impossíveis de recrear mas por muito pensasse em voltar (basicamente só o faço quando os amigos me perguntam), ainda não vejo que seja momento.

Espero que estejam a ter umas boas férias! Tem havido alterações nas vossas vidas? Contem-me tudo! Há muito tempo que não visito blogues mas gowto de saber de vocês.

Bom fim de semana!




16 junho 2015

À Joana




Adoro sinceridade. Nem sempre é agradável, mas adoro. A Joana deixou-me um comentário num dos posts a dizer que o meu blog está desinteressante. Ó Joana, e eu não sei? Não escrevi já algumas vezes sobre o quanto gostaria de escrever mas que me falta vontade e inspiração? Não concordo com a do conteúdo, mas isso são opiniões. A verdade é que a minha vida mudou, eu mudei e acho que o blogue, tal como está, já não se ajusta. 

Tem-me custado a aceitar. Tenho uma ligação afectiva muito grande a este blogue e às pessoas que me seguem e pensar que este espaço deixa de existir causa-me alguma tristeza. Estive a ver se a vontade voltava, se seria uma questão de timming, se algum milagre acontecia mas começo a perceber aos poucos que o caminho não é por aqui e talvez precise fazer o enterro, mas ainda não estou preparada para isso, daí continuar num "limbo blogosférico" até que a decisão chegue. 

Não sei qual será o destino. Irei dando noticias da situação mas até lá este blogue continuará em banho maria como nos últimos meses (quase dois anos, na verdade, desde que mudei de país), até eu perceber o que se passou ou o que irei fazer com ele. 

Joana, um beijinho. Obrigada pela opinião!




31 maio 2015

Correr atrás do tempo ou espremê-lo até ao máximo?




Mais um mês que passou. 

As semanas cavalgam, o tempo viaja tal velocidade que passo as folhas do calendario sem sequer ter tido tempo de o preencher. Estas folhas vazias mentem. Foi o excesso de actividades que me impediu ter tempo de os planificar. Escasseia o tempo livre necessário para deixar crescer a inspiração que me fazia escrever posts longos. Ando a velocidade de cruceiro.

Entretanto eu adiei mais umas férias "à séria", continuo a sonhar com pequenos almoços vagarosos de domingo com o sol a bater pela janela e a ler o NYT. Não sei se faço bem. Sou contra deixar o viver para o futuro, mas ando mais productiva que nunca e isso dá-me um gozo do caraças. Quero acreditar que é uma situação passageira em nome de um objectivo maior. Daqui a uns meses a coisas acalma. Mesmo.

Bom fim de semana a todos!



18 maio 2015

Ganhei a semana



A vida profissional de um dentista é, a  meu ver, muito ingrata. Recebemos muitos pacientes com queixas (um "bom dia como está?" seguido de um "olhe mal, dói-me este dente e tenho sensibilidade e..." sabe tão bem como um galão quente no dia de verão) mas nenhum nos agradece quando fica melhor. Alguém entra contente num dentista? Pois. Temos também aqueles que aparecem pela porta mal dispostos e mesmo antes de dizer "olá" disparam-nos uma semi ameaça "tenho pânico de dentistas!" (compreendo meu senhor mas é a primeira vez que o vejo na vida, também sou pessoa e o meu nome é mariana, como está?) É muito bom. E por último (porque vou já acabar, não porque não haja mais anedotas) temos aqueles pacientes cuja boca parece um campo de minas e que nos traz mais preocupações a nós do que a eles. Vê-se que estamos mais empenhadas em preservar-lhes os dentes quando dizem "Dra, tire tudo" (dos dentes, convenhamos). Assim, passamos maior parte do tempo a tentar preservar dentes que para nós têm um valor inestimável e raramente recebemos um obrigada em troca (excepção feita para trabalhos estéticos grandes). O reconhecimento é tão pouco que quando mudamos de clínica e o paciente nos segue ganhamos a glória por ele e por todos os outros! Como diria o Facebook, a sentir-se inchada com um perú e com baba a cair do canto da boca com vontade de apertá-lhes as bochechas. Ainda para mais têm de fazer Km, vá beijoca!

17 maio 2015



Quando o teu desejo dominical é algo tão simples como ter tempo livre e disposição para poder ler o teu jornal favorito ao pequeno almoço percebes que:

1. As coisas mais simples trazem muita felicidade,
2. As coisas mais simples às vezes implicam uma mudança do caraças para poder acontecer o que as torna difíceis.





Bom fim de semana!


11 abril 2015

Resultados da minha experiência "Masterchef"


Não cheguei a publicar o meu resultado do meu Masterchef particular tal como ainda não mostrei o resultado da escolha do papel de parede nem a fatiota para o casamento da minha irmã. tenho sido uma desnaturada, é verdade e eu detesto seriamente deixar assuntos inacabados. 

O post do papel de parede e do casamento da minha irmã fica prometido (se acreditarem que tenho poucas fotos minhas e nenhuma sozinha...) mas as fotos dos pitéus da Gousto podem marchar já! Isto foi o que saiu da minha cozinha:

Risotto de palmito

Salada de harissa e queijo feta.

Porco com puré de cherivia


Tudo maravilhoso, receitas indicadas na perfeição e ingredientes e boa qualidade e na conta certa. Não gosto de picante, estava um bocado reticente quanto à salada (prato marroquino, a harissa é uma pasta picante) mas ainda sinto o feta picante a desfazer-se na boca e tenho saudades da combinação com o freekeh (é um cereal, pelos vistos). Uma experiência super positiva e para manter! Eles gostam é muito de picante por aqui e limita-me um bocado mas a ver se organizo o compasso outra vez e começo a fazer pedidos regulares.



10 abril 2015

Andar perdido



Ilustração Abigail Schwartz. NYT


Tive a sorte de crescer a saber o que queria. Gostava de ir à escola, gostava de aprender e sempre soube onde me dirigir. Aos 10 anos já tinha a certeza que queria ser médica-. gostava de ciências e queria saúde, ajudar as pessoas em sofrimento (era o meu pensamento de 10 anos). A maioria dos meus amigos não sabia o que queria ser. A minha irmã por exemplo só escolheu o curso quando se candidatou e o meu irmão foi mandado para outro lado de Atlântico para ver se lhe dava uma inspiração depois de ter rejeitado uma vaga em Economia numa Universidade em Madrid. 

Acredito que o "não saber o que fazer à vida" (como se a vida se resumisse a um curso superior, mas isso é outra história) é o mais comum dos estados de um adolescente, quanto mais de uma criança e até acho natural que assim seja. Quem é que se quer limitar aos 15 anos? Quem é que se conhece aos 18? Quem é que aos 25, depois de curso escolhido, tirado e exercido, não pensa "dava tudo para fazer outra coisa?" 

Continua, por isso, a fazer-me muita confusão que não se aceite esse estado de indecisão como normal, que pais e educadores fiquem preocupados quando uma criança ou adolescente anda "perdido". Acho que temos provas suficientes para afirmar que o estado "perdido" é o estado natural ou melhor, para mudar a etiqueta de "perdido" pela etiqueta "em descoberta", ou coisa que o valha. Afinal de contas ter a sorte de saber o que se quer não dá garantias nenhumas de ser ter acertado. Eu estou à espera que a sorte me bafeje outra vez com uma ideia diferente... Quando bafejar aviso!


Tudo isto ocorreu-me depois de ter lido este artigo aqui "Our push for passion and why it harms Kids"


13 março 2015

Sobre as mudanças





A preparar, a aceitar, a digerir... Talvez um dia me apeteça escrever sobre isto.

Bom fim de semana!



14 fevereiro 2015

Uma espécie de Masterchef



Uma das maiores dificuldades que tenho de viver sozinha, acreditem ou não, é a cozinha. 

Quem me segue há tempo sabe que gosto de cozinhar e de comer saudável (quem se lembra do desafio macrobiótico?) embora esteja (muito) longe de ser uma fundamentalista. Mas dizia eu que das maiores dificuldades é a cozinha e passo a explicar, Para começar não gosto de cozinhar apenas para um o que me leva muitas vezes a desleixar (e a ouvir o reprovador "estás mais magra" da minha mãe e as minhas tias), mas o pior prende-se mesmo com a logística dos ingredientes.

Quem cozinha "para um" sabe que os pacotes estão feitos para famílias. Se queres fazer uma receita diferente de certeza que algum dos ingredientes que compraste vai sobrar e terminar inevitavelmente no lixo ou então passas 5 dias seguidos a comer o mesmo. É rara a semana em que não se estraga alguma coisa no frigorífico (parte-me o coração) à espera de ser reutilizada por isso este mês decidi experimentar uma solução diferente. Chama-se Gousto.

Podem arranjar os defeitos que quiserem mas em soluções práticas ninguém ganha aos ingleses. Gousto é uma pequena companhia composta por agricultores e cozinheiros. Todas as semanas e de acordo com os legumes da época saem receitas novas. Uma pessoa regista-se, escolhe as receitas e o número de pessoas, eles seleccionam os ingredientes que são necessários e mandam para casa junto com a receita propriamente dita. Ainda têm também um canal no Youtube para ajudar aos mais inexperientes.

O cabaz da semana foi este:



Receitas para esta semana:

Risotto de palmito - cozinha italiana
Porco com puré de cherivia (nunca comi cherivia na vida) - cozinha britânica
Salada harissa e queijo feta (harissa é uma pasta aromática a dar pró picante) - cozinha marroquina

As vantagens que vejo nisto são imensas. Primeiro não ter de pensar em menús para a semana (uma seca), poupar tempo na procura dos ingredientes (aqui os supermercados variam muitos nos produtos e nem sempre encontro o que havia há uma semana ou um mês), consumir produtos orgânicos, cozinhar e experimentar pratos que nunca na vida me lembraria de fazer, evitar o desperdício uma vez que os ingredientes vêm à conta para as receitas escolhidas  (digam-me onde é que já viram à venda dois dentes de alho soltos), obrigar-me a fazer refeições decentes e com mais legumes, confesso que não tenho muito esse hábito.

Inconvenientes, também tem: algumas receitas têm toques indianos que sinceramente não aprecio. Picante também é outra coisa comum e que não gosto o que me limita_me um bocado a escolha embora sugiram 8 receitas por semana. A entrega, só entregam em mão e tem de estar alguém é casa (não tem sido problema mas eu moro sozinho por isso ás vezes podia ser).

Para já são estes mas com o decurso do tempo vou actualizando dados. E agora vamos ao dinheirinho: por este cabaz que faz 3 receitas para 2 pessoas (ou seja, 6 refeições sendo que comigo talvez dê para mais) paguei 10 libras já com gastos de envio porque desta vez tinha um voucher para experimentar de 25 libras. O valor do Cabaz original eram 30 e tal libras se não estou em erro o que não me parece astronómico tendo em conta o que gasto no supermercado todas as semanas e que desta maneira trago pratos diferentes e de qualidade.


A teoria é positiva, agora vamos ver como corre a prática. Vou publicando as noticias aqui. Se entretanto alguém tiver ideias para evitar desperdícios e organizar menus sem grandes complicações por favor que partilhe!

Bom fim de semana pessoal!




01 fevereiro 2015

Devaneios de domingo






Gosto muito de estar em casa e ao fim de semana dedico-lhe sempre mais atenção o que se traduz sempre por mudanças pontuais aqui e acolá. Há já algum tempo que a decoração terminou (especialmente quando decidi que não iria comprar mais nada até não ter a certeza se fico aqui ou não) mas há sempre espaço para pequenos detalhes.

Hoje andei à volta com as flores. Gosto muito de ter flores na cozinha depois de trocar uns vasos de sitio a coisa terminou assim.

Orquids in the kitchen, why not? Uma planta elegante num lugar de tachos e panelas... gosto do contraste.

Entretanto também percebi que com isto chegámos a Fevereiro. O primeiro mês do ano já passou e apesar de eterno eu nem dei conta. Caramba como o tempo voa!

Espero que estejam a ter um bom resto de fim de semana.