11 abril 2015

Resultados da minha experiência "Masterchef"


Não cheguei a publicar o meu resultado do meu Masterchef particular tal como ainda não mostrei o resultado da escolha do papel de parede nem a fatiota para o casamento da minha irmã. tenho sido uma desnaturada, é verdade e eu detesto seriamente deixar assuntos inacabados. 

O post do papel de parede e do casamento da minha irmã fica prometido (se acreditarem que tenho poucas fotos minhas e nenhuma sozinha...) mas as fotos dos pitéus da Gousto podem marchar já! Isto foi o que saiu da minha cozinha:

Risotto de palmito

Salada de harissa e queijo feta.

Porco com puré de cherivia


Tudo maravilhoso, receitas indicadas na perfeição e ingredientes e boa qualidade e na conta certa. Não gosto de picante, estava um bocado reticente quanto à salada (prato marroquino, a harissa é uma pasta picante) mas ainda sinto o feta picante a desfazer-se na boca e tenho saudades da combinação com o freekeh (é um cereal, pelos vistos). Uma experiência super positiva e para manter! Eles gostam é muito de picante por aqui e limita-me um bocado mas a ver se organizo o compasso outra vez e começo a fazer pedidos regulares.



10 abril 2015

Andar perdido



Ilustração Abigail Schwartz. NYT


Tive a sorte de crescer a saber o que queria. Gostava de ir à escola, gostava de aprender e sempre soube onde me dirigir. Aos 10 anos já tinha a certeza que queria ser médica-. gostava de ciências e queria saúde, ajudar as pessoas em sofrimento (era o meu pensamento de 10 anos). A maioria dos meus amigos não sabia o que queria ser. A minha irmã por exemplo só escolheu o curso quando se candidatou e o meu irmão foi mandado para outro lado de Atlântico para ver se lhe dava uma inspiração depois de ter rejeitado uma vaga em Economia numa Universidade em Madrid. 

Acredito que o "não saber o que fazer à vida" (como se a vida se resumisse a um curso superior, mas isso é outra história) é o mais comum dos estados de um adolescente, quanto mais de uma criança e até acho natural que assim seja. Quem é que se quer limitar aos 15 anos? Quem é que se conhece aos 18? Quem é que aos 25, depois de curso escolhido, tirado e exercido, não pensa "dava tudo para fazer outra coisa?" 

Continua, por isso, a fazer-me muita confusão que não se aceite esse estado de indecisão como normal, que pais e educadores fiquem preocupados quando uma criança ou adolescente anda "perdido". Acho que temos provas suficientes para afirmar que o estado "perdido" é o estado natural ou melhor, para mudar a etiqueta de "perdido" pela etiqueta "em descoberta", ou coisa que o valha. Afinal de contas ter a sorte de saber o que se quer não dá garantias nenhumas de ser ter acertado. Eu estou à espera que a sorte me bafeje outra vez com uma ideia diferente... Quando bafejar aviso!


Tudo isto ocorreu-me depois de ter lido este artigo aqui "Our push for passion and why it harms Kids"


13 março 2015

Sobre as mudanças





A preparar, a aceitar, a digerir... Talvez um dia me apeteça escrever sobre isto.

Bom fim de semana!



14 fevereiro 2015

Uma espécie de Masterchef



Uma das maiores dificuldades que tenho de viver sozinha, acreditem ou não, é a cozinha. 

Quem me segue há tempo sabe que gosto de cozinhar e de comer saudável (quem se lembra do desafio macrobiótico?) embora esteja (muito) longe de ser uma fundamentalista. Mas dizia eu que das maiores dificuldades é a cozinha e passo a explicar, Para começar não gosto de cozinhar apenas para um o que me leva muitas vezes a desleixar (e a ouvir o reprovador "estás mais magra" da minha mãe e as minhas tias), mas o pior prende-se mesmo com a logística dos ingredientes.

Quem cozinha "para um" sabe que os pacotes estão feitos para famílias. Se queres fazer uma receita diferente de certeza que algum dos ingredientes que compraste vai sobrar e terminar inevitavelmente no lixo ou então passas 5 dias seguidos a comer o mesmo. É rara a semana em que não se estraga alguma coisa no frigorífico (parte-me o coração) à espera de ser reutilizada por isso este mês decidi experimentar uma solução diferente. Chama-se Gousto.

Podem arranjar os defeitos que quiserem mas em soluções práticas ninguém ganha aos ingleses. Gousto é uma pequena companhia composta por agricultores e cozinheiros. Todas as semanas e de acordo com os legumes da época saem receitas novas. Uma pessoa regista-se, escolhe as receitas e o número de pessoas, eles seleccionam os ingredientes que são necessários e mandam para casa junto com a receita propriamente dita. Ainda têm também um canal no Youtube para ajudar aos mais inexperientes.

O cabaz da semana foi este:



Receitas para esta semana:

Risotto de palmito - cozinha italiana
Porco com puré de cherivia (nunca comi cherivia na vida) - cozinha britânica
Salada harissa e queijo feta (harissa é uma pasta aromática a dar pró picante) - cozinha marroquina

As vantagens que vejo nisto são imensas. Primeiro não ter de pensar em menús para a semana (uma seca), poupar tempo na procura dos ingredientes (aqui os supermercados variam muitos nos produtos e nem sempre encontro o que havia há uma semana ou um mês), consumir produtos orgânicos, cozinhar e experimentar pratos que nunca na vida me lembraria de fazer, evitar o desperdício uma vez que os ingredientes vêm à conta para as receitas escolhidas  (digam-me onde é que já viram à venda dois dentes de alho soltos), obrigar-me a fazer refeições decentes e com mais legumes, confesso que não tenho muito esse hábito.

Inconvenientes, também tem: algumas receitas têm toques indianos que sinceramente não aprecio. Picante também é outra coisa comum e que não gosto o que me limita_me um bocado a escolha embora sugiram 8 receitas por semana. A entrega, só entregam em mão e tem de estar alguém é casa (não tem sido problema mas eu moro sozinho por isso ás vezes podia ser).

Para já são estes mas com o decurso do tempo vou actualizando dados. E agora vamos ao dinheirinho: por este cabaz que faz 3 receitas para 2 pessoas (ou seja, 6 refeições sendo que comigo talvez dê para mais) paguei 10 libras já com gastos de envio porque desta vez tinha um voucher para experimentar de 25 libras. O valor do Cabaz original eram 30 e tal libras se não estou em erro o que não me parece astronómico tendo em conta o que gasto no supermercado todas as semanas e que desta maneira trago pratos diferentes e de qualidade.


A teoria é positiva, agora vamos ver como corre a prática. Vou publicando as noticias aqui. Se entretanto alguém tiver ideias para evitar desperdícios e organizar menus sem grandes complicações por favor que partilhe!

Bom fim de semana pessoal!




01 fevereiro 2015

Devaneios de domingo






Gosto muito de estar em casa e ao fim de semana dedico-lhe sempre mais atenção o que se traduz sempre por mudanças pontuais aqui e acolá. Há já algum tempo que a decoração terminou (especialmente quando decidi que não iria comprar mais nada até não ter a certeza se fico aqui ou não) mas há sempre espaço para pequenos detalhes.

Hoje andei à volta com as flores. Gosto muito de ter flores na cozinha depois de trocar uns vasos de sitio a coisa terminou assim.

Orquids in the kitchen, why not? Uma planta elegante num lugar de tachos e panelas... gosto do contraste.

Entretanto também percebi que com isto chegámos a Fevereiro. O primeiro mês do ano já passou e apesar de eterno eu nem dei conta. Caramba como o tempo voa!

Espero que estejam a ter um bom resto de fim de semana.




27 janeiro 2015

Filha de peixe....



Precisa de água e convenhamos que a água clorada da piscina ajuda mas não chega. Embora não me atrevesse a molhar o pé aqui nem pleno mês de Agosto, de vez em quando preciso chegar ao pé dela para lhe ver a cor, o movimento, a imensidão e ouvir o barulho das ond(inh)as que batem à "costa". Vivo numa ilha mas é que é muito mais fácil chegar a lagos do que ao mar, acreditem, e a verdade é que até agora não me tem importado nada. 

Desta vez o local escolhido foi Lake District que até no pico de Janeiro me fez sonhar com dias de verão. O dia estava cinzento mas não choveu (muito) e deu para caminhar à vontade. Começo sinceramente a apreciar a luz prateada que se sente por estas bandas.

























A vila, Windermere, é um amor tipicamente inglesa mas não tirei fotos. Como bónus e para quem tem crianças, esta é uma oportunidade perfeita para lhes dar a conhecer o Mundo de Beatrix Potter. Era em Lake District onde ela passava férias, onde escolheu viver a última metade da sua vida e onde investiu comprando a máxima quantidade de terrenos possível para os proteger da exploração turística e deixando-as entregues a um centro de preservação que mais tarde transformou a zona em Parque Nacional. Vale a pena a visita.






25 janeiro 2015

Definição de mulher moderna (actualizada à geração dos 30)




Quando estive em Lisboa no Natal combinei com uma amiga que tinha tido gémeos em Maio e eu ainda não tinha visto. Fomos tomar café primeiro e fiquei de passar lá em casa mais tarde para ver os miúdos. Cheguei à hora do banho/saída da empregada. Vestimos o que faltava, aqueceram-se sopas, entreteram-se choros com um "Baby First" de pano de fundo (bolas que aquele canal dá sono...!) e chegou a hora do jantar. Eu fiquei com um, ela com outro pusémo-los de costas um para o outro na cadeirinha deles e entre colher e colher, continuámos a conversa (que era muita). 

- Maria: Tenho de ir agora uma vez por mês ao Porto mas como o João está a acabar o curso dele já pode ficar com os miúdos.
- Eu: Mas ele não tinha feito já um de Endo?
- Maria: Sim, mas quer se especializar.
- Eu: E vai fazer na XXX? Acho que as especializações de Endo... (conversa de dentistas, não interessa) mas se quiseres eu consigo saber isso. Olha Maria o F. está-me a deitar tudo para fora.
- Maria: Ah tens de ser rápida, ele faz sempre isso. Espera fica tu com o M. que é mais fácil. (trocamos de cadeira). Já sei que vou faltar a um dos módulos porque cai mesmo no dia de anos deles.
- Eu: Que pontaria... Talvez o João se meta com eles a caminho de Porto e depois passam o fim de semana na Quinta.
- Maria: É uma hipótese mas logo se vê, ainda falta. E o teu curso é de que?
- Eu: Reabilitação Oral. Este ano é basicamente fundamentos e oclusão. Estes estão com tanto soninho meu deus...
- Maria: Pois estão e andam adoentados. Não dormiram muito a noite passada. Opá isso é fixe, ninguém sabe nada de oclusão.
- Eu: Pois não, é ridículo, mas pronto. Para o ano se quiser faço a segunda parte. Também podia começar a segunda parte já em Março e fazer tudo ao mesmo tempo mas prefiro ir com calma. O F já acabou?
- Maria: Não, adormeceu.  

Escanqueiradas, de pernas abertas com prato de sopa em punho e dois bebés pelo meio falamos de especializações pós graduações e mestrados. Às vezes, nos dias de hoje, é o melhor encontro de amigas que uma mulher pode ter! E foi mesmo bom.



07 janeiro 2015

Na fila



Cada vez que ia a Lisboa pedia para me ver e cada vez que me pedia eu arranjava uma desculpa. Quis a sorte do macaco que escolhêssemos a mesma caixa para pagar no supermercado. Naquela interessante tarefa que é a espera, estava eu a conversar com o meu irmão quando reparei que tinha um gajo olhar para mim e a sorrir com cara de malandro. Pela expressão já devia estar assim há algum tempo... Sempre teve a irritante mania de ficar a olhar para mim a rir... e a seguir picar-me.

Não vou mentir, tinha saudades daquele sorriso. Fiquei contente de o ver mais pela coincidência (fui 3 vezes ao Colombo na minha vida, logo tinha de calhar aquele dia, àquela hora, naquela caixa) do que pelas saudades mas deu para saldar o encontro que andava a adiar sem ter de o marcar. Dois dedos de conversa aqui e ali, meti-me com o carrinho dele atulhado em álcool, meteu-se com o meu nariz empinado, chegou a minha vez, tive de voltar atrás porque um item não tinha preço, quando voltei já era a vez dele, paguei, pagou, picou-me mais uma vez, respondi-lhe na mesma moeda e foi cada um à sua vida. 

Há coisas que não morrem embora deixem de ter significado mas é engraçado como a vida faz questão de nos lembrar que existiram.



05 janeiro 2015

Gosto muito de números ímpares





Começo o ano sem balanços e sem promessas, não recordo de ter acontecido isto nunca. Ainda não percebi a razão de este "não planning" mas se isto não é um verdadeira folha em branco não sei bem o que será. Já não posso ouvir-me desculpar com essa do cansaço, mas a verdade é que também já me cansei de tentar perceber o porquê de muitas coisas. É assim, pronto. Quero lá saber porquê... Às tantas graças ao cansaço descubro a chave que me faltava: não pensar.

Que tenham um óptimo ano! Eu gosto de ímpares e para mim ter de escrever "15" várias vezes ao dia faz-me muito mais feliz do que escrever "14". Pode não parecer grande coisa mas para mim é um bom começo!

As saudades que eu tinha de vir aqui... não acreditem mas é verdade: tinha muitas saudades vossas! Tenho saudades do tempo em que os Blogues eram mais importantes que o Facebook.



Beijinhos a todos!