19 Setembro 2014

A quem mato primeiro?



Acabo ler um post partilhado por um tapadinho (não o conheço de lado nenhum mas lendo o resto dos comentários, só pode) em que se salienta a responsabilidade moral das mulheres para encontrar um marido com princípios morais adequados (um gajo porreiro, vá). Também falava sobre o aproveitar bem a vida de solteira enquanto se espera o "dom do matrimonio" (conheço esta expressão tão bem...) mas isso são outros cantares.

Sob o aliciante título de "As mulheres merecem mais" a certa altura o artigo diz que quanto mais exigentes forem os princípios morais de uma mulher, assim encontrará um homem integro e essas coisas. Mais, quanto mais exigentes forem os princípios morais de uma mulher, assim um homem se moldará para responder e atingir estes princípios... Até ai tudo bem, não é preciso ser um génio para saber que encontramos e convivemos com pessoas semelhantes a nós. É quase uma lei natural tanto nas relações amorosas como nas amizades e até mesmo em família que deriva tal tal expressão "Deus os cria e eles juntam-se", mas daí a porem a responsabilidade de comportamento em cima do comportamento das mulheres vai um passo enorme.

Isto fez-me logo lembrar outro artigo que li há tempos referente ao uso de véu pelas mulheres islâmicas e outro que falava no "decoro" feminino para evitar abusos sexuais. Que é como quem diz, vocês mantenham-se discretinhas e nada mau acontecerá. Olha, MERDA! Ou então o que estes senhores querem dizer é que a humanidade divide-se em dois tipos de seres: mulheres e trogloditas. Como os trogloditas não se sabem controlar nem estabelecer princípios morais e segui-los, precisam das mulheres para dirigir a batuta. Em muitos casos precisam que as mulheres controlem as suas próprias atitudes e vontade (limitando-nos em muito a liberdade) para que os coitadinhos não façam estragos. Mas temos homens ou animais? Já sabemos que eles são um bocado básicos e muitas vezes até primitivos mas daí a retirar-mos-lhes todo o tipo de responsabilidade, vai outro passo enorme. Ou então eu tenho as pernas curtas.

Fico furiosa com este tipo de pensamento que é mais retrógrado que correcto. E se por um lado aceito muito bem que as mulheres moldem voluntariamente o comportamento de um homem numa relação (a primeira que não faz isso que atire a primeira pedra), não aceito minimamente que isto se predique como forma aceite ou indicada de comportamento feminino. Pior ainda é ter uma amigA que partilha isto... Fico piursa, só me apetece ir lá ao FB do rapaz em questão e mandá-lo às urtigas, mas não quero deixar mal a atrasada da minha amiga, às tantas aquele pode ser o seu mais que tudo e estou eu aqui a estragar os planos do Sr, amén. 

"Meninas, toca a elevar a fasquia" diz o troglodita na publicação dele.

Sim, a seguir a ti! Meu atrasadinho de m*#%a...



Não sou uma feminista maluca, tive uma educação muito católica e até sou bastante conservadora mas esta hipocrisia machisto-religiosa em que se vive deixa-me os cabelos em pé. Estamos no século XXI! Põem a moralidade toda nas mulheres e depois não nos dão evidência nenhuma. Vão cagar à mata!



26 Agosto 2014

De perder a cabeça!


Para quem se pergunta por onde tenho andado, ultimamente estou mais pelo FB (ressuscitei a página) simplesmente porque os meus dias andam frenéticos é mais rápido escrever posts pequenos do que sentar-me a elaborar posts mais complexos, por isso se quiserem estar mais a par das novidades talvez seja melhor darem um saltinho por lá, pelo menos por enquanto. 

Dizia eu que estou de perder a cabeça... Há quem seja escravo da moda e esses são uns sortudos porque encontram sempre o que precisam (ou melhor dito, precisam sempre do que há disponível do mercado) mas eu sou muito clássica e às vezes quero/imagino coisas que não encontro porque não estão na moda e ai, ou me desenrasco e "faço" eu mesma, ou então fico com o imaginário cheio de vontade.

Adoro pendentes, fios fininhos com um motivo pequeno. Adoro! Mas por muito tempo não encontrava nada de jeito. Quer dizer, eu sabia onde os havia mas eram marcas caras e como gosto de variar não ia estar a comprar um de cada. Além disso sei lá se daqui a uns anos me aborreço e ficavam os milhões parados na gaveta... Ahaha!

Tinha (e tenho) o solitário que o meu pai me ofereceu, a minha cruz dos 15 e antes do verão comprei um da Catita Illustrations que foi amor à primeira vista. Os outros fiz por encomenda mas eram mais bijutaria do que jóia até que a Accessorize me deu a alegria da temporada e lançou uma colecção completamente do meu estilo e com pedras! (andava à caça delas não imaginam há quanto).

Estou para aqui que não sei para onde me hei de virar. Ataco as pulseiras (que também adoro e só uso fininhas) ou os colares? Até os anéis que (não uso) me estão tentam! Indecisões, indecisões... mas esta flor de lótus já mora aqui :)







Podem ver a colecção completa aqui.




24 Agosto 2014

Ser (esta) Mariana é...



Ter o vestido e os sapatos comprados, já ter falado com a millinery para o chapéu, sair uma manhã de domingo para fazer outras compras, apaixonar-me por uma saia linda de morrer e mudar o visual inteiro a 3 semanas do casamento!

(O meu primeiro pensamento sempre foi o verde menta e afinal sem estar à procura encontrei-o. É por isso que nunca me preocupo muito em procurar as coisas). Agora toca a arranjar o resto! A vantagem dos vestidos é que fica logo meio caminho andado e com as saias não. Metes-te em cada aventura Mariana Maria... E gostas. O pior é que gostas!



20 Agosto 2014

Mais uma


(Ao telefone)


- Estás tensa...
- Estou?
- Sim, assim que atendeste o telefone notei logo. Estás tensa, não estás?
- (Baixando as armas e rendendo-me às evidências) ... Estou...
- Pois bem me pareceu.

Conhecer pessoas assim é ter uma sorte do caraças, é o que vos digo.


Ainda só é quarta mas quem está mortinha porque chegue o fim de semana quem é? E vai estar de chuva! É da maneira que me enrosco no sofá e distenso de vez, pronto.






18 Agosto 2014

À procura



"Conhecendo-te como te conheço vais acordar um dia e saber assim do nada exactamente o que queres fazer"



Gosto muito de ter amigas que me conhecem tão bem. Dá-me um conforto desgraçado ver-me nas descrições delas. 

Têm sido dias muito cheios, pessoas. Espero que logo, logo isto volte ao "quase normal".


Boa semana a todos!


07 Agosto 2014

Conversas resgatadas



- Fui um burro...
- ... (esbugalhar de olhos)
- A C. disse-me que fui um burro e tem razão.
- Ahh... agora não vale a pena pensar nisso.
- Pois, mas fui...
- ... (dizer o que?) Mas a propósito de que é que a C. te disse isso?
- À bocado entrou no meu gabinete eu estava sozinho disse-me "você foi um burro e agora ela vai-se embora e você já não tem hipótese alguma! Eu avisei-o mas você nunca me ouviu!"


Esta conversa tem pouco mais de um ano. Há um ano por estas alturas estava o "burro", despreocupado, incapaz de mostrar um sentimento por alguém a mandar-me mensagens todas as semanas para saber se eu estava bem. Tarde. Há comboios que se perdem e nunca mais se apanham. Pensei que lhe passaria, mas pelos vistos não e não imagino o difícil que deve ser viver com a dúvida do que podia ter sido e não foi... por burrice.



01 Agosto 2014

Mais uma página do FB





Chama-se Humans of New York ou "HONY" e foi-me apresentada pelo meu irmão há umas semanas. Não conhecia mas parece que anda a rolar há muito. A ideia começou em 2010 e combina fotografias de cidadãos comuns com pequenas frases dos mesmos. A sério, vale muito a pena. Cada post leva um sorriso e uma inspiração. Um projecto delicioso!


“She gets me out of the house.”

Para seguir, aqui.


Bom fim de semana!



31 Julho 2014

Vamos às festas, antes que passem de validade


Estive de férias em Lisboa uns valentes 20 dias. Quando uma pessoa vive ou tem família fora as férias passam inevitavelmente por ser "cá" dentro, no ninho, que é onde mais apetece estar. Os último anos têm sido sempre assim e embora já comece a apetecer voltar a ter férias como dantes, este ano tinham mesmo de passar por Lisboa por causa de alguns eventos que tomaram conta dos nossos dias.

Primeiro, a minha festa de 30º aniversário. Numa noite muito fria (como todas por aqui), quando cheguei a Glasgow depois das férias do Natal e me preparava para enfrentar um Ano Novo em terras estrangeiras lembrei-me "Caraças! Este ano eu faço 30!" e imediatamente... VOU FAZER UMA FESTAAAA!

Um dos hábitos que tenho vindo a reforçar com a idade é não pensar em impossíveis. Geralmente as pessoas com os anos vão morrendo por dentro, perdem o entusiasmo, tornam-se preguiçosas, qualquer entrave custa bilhões de esforço. Não percebo porquê se o tempo só nos mostra que somos capazes de muito mais do que aquilo que achamos mas mesmo assim, a morte espiritual acontece (e para mim é a pior morte de todas). Assim que tive o pensamento maluco veio-me o segundo, mais ponderado "Ó rapariga, tens 80% dos teus amigos espalhados pelo globo, tu não estás sequer a morar em Portugal, não achas um bocado complicado?"E a seguir veio a decidida "Pois sim, mas estamos em Janeiro e a festa é no verão. Há tempo mais que suficiente". Nem pensei duas vezes no sitio. No dia a seguir estava a fazer a lista de convidados e a mandar email ao Farol Hotel, em Cascais para fazer o meu jantar.

15 convites enviados, uma visita em Abril (já lá tinha estado antes mas na altura estava longe de imaginar que um dia viria a fazer um jantar ali e queria ver melhor a sala e o espaço), uns 36 emails depois (o Tiago, coordenador de eventos, fez o favor de os contar) estava quase tudo alinhavado. Quando cheguei a Lisboa só me faltava escolher as flores para a mesa e o bolo.

A festa começou aqui, com a vista para o mar que tanto adoro



O jantar foi servido lá dentro numa sala privada só para nós. O bolo escolhido foi um semifrio de maracujá porque andava cheia de saudades de um bolo ligeiro com sabor a fruta fresca.



Quando fazia a distribuição dos lugares apercebi-me de uma coisa: a maioria das pessoas não se conhecia entre elas e fui assaltada por um "ó meu deus isto pode ser uma grande cagada. E se a conversa não fluir?" No final foi mesmo só o susto porque a conversa começou e não parou até às 3 da manhã! O ambiente foi tão bom, tão variado, tão divertido e gostei tanto de os ter a todos juntos (os que puderam vir) que repetia tudo mil vezes! Já tinha feito um lanche de amigas nos meus 25 (que na altura conheciam-se quase todas) mas desta apeteceu-me fazer algo mais formal e para mais gente. Desta vez vieram casais e até bebés! foi muito giro reparar nas diferenças das festas. Posso dizer que foi um sucesso? Posso. Foi um sucesso do inicio ao fim!

Para a próxima só mudo uma coisa: ter um fotógrafo. Não gosto muito de tirar fotografias (só a evolução da minha orquídea) e detesto estar num evento a pensar eternamente no click, não tenho paciência. "Ou documento ou vivo" é esse o meu lema, mas gosto de ficar com um registo para mais tarde por isso a solução é ter alguém que capture esses momentos por mim para que eu possa desfrutar deles durante e depois. Confesso que me lembrei do fotógrafo, depois achei que afinal toda a gente acaba por tirar fotografias e se calhar não seria necessário mas afinal o pessoal ficou tão absorvido nas conversas que não houve uma foto que fosse e só se dispararam flashes na hora do bolo. Depois dei por mim já no fim do serão a capturar à maluca para tentar agarrar os poucos momentos que ainda tínhamos. Claro que me faltaram pessoas e momentos, mas para a próxima não falta!

Para mim escolhi um macacão Max Mara que já tinha usado numa ocasião anterior mas que adoro, uns brincos dourados comprados no dia antes (custa-me tanto escolher brincos compridos que vocês não têm ideia), uma pulseira linda do inverno passado e que ainda não tinha usado e uns sapatos pretos nada baixos.





Apesar de todo o cuidado que tenho com o sol apanhei um escaldão nas costas no meu segundo dia de praia (querido Guincho... tu e eu nunca seremos amigos, verdade?) que me limitou muito as idas à praia nos dias seguintes mas não fez mal, afinal de contas monotonia é coisa que não fez parte destas férias. Afinal de contas em Setembro a nossa família assistirá a um acontecimento ainda maior...


A Mafalda vai casar! 


Se organizar uma festa de anos à distância é um desafio, imaginem um casamento! Mas nada que detenha a mana mais nova... nem a nós. Desde Fevereiro que temos estado adiantar o que nos era possível: a Quinta, os convites, a decoração das mesas, a papelada, a Igreja, o coro, o Padre... Mas há coisas que só se podem fazer em pessoa e o vestido é uma delas. Chegou de Angola um dia depois de mim e umas horas depois voámos directas para a modista. Entretanto já vi a primeira prova do vestido e está ESPECTACULAR! Mas não posso dizer nada, terá de ficar para Setembro. Parece que ainda falta muito mas Setembro está já ao virar da esquina. Deduzo que a fase mais agitada comece agora mas par já está tudo zen. 

Aqui a madrinha também está calma. Já tenho o vestido, agora falta o resto (e já se sabe que o resto é muita coisa) para completar a toilette (adoro esta palavra que muito usa a minha avó!) mas conto ter tudo pronto nas próximas semana, que agora nos saldos está tudo depenado e não se encontra nada. Para já o que mais me preocupa? Ajeitar a noiva em condições de entrar na Igreja sem lhe pisar o vestido! Pancas. 

E é isto. Vou dando noticias dos próximos acontecimentos :)



28 Julho 2014

Vamos falar de flores



Venho aqui dar conta da minha orquídea, aquele ser vivo que não só me enche de cor as manhãs como me traz surpresas todos os dias.

Se bem se recordam depois de um muito longo período fértil que durou de Setembro a Dezembro, cheguei de férias de Natal e vim encontra-la a definhar, coitadinha. Seguiram-se meses de cuidados esmerados em que nada acontecia. Era um dar de beber a galhos verdes (que graças a deus não ficavam amarelos) mas sem saber o que sairia dali a seguir até que em Abril chamei ramo ao coto que lhe saia por ali a fora e em Maio já estava assim (na altura documentei aqui.)

1 de Maio 2014

Antes de continuar devo dizer que esperava a todo momento que a tipa me dissesse: "fico por aqui, já não me reproduzo mais" mas não. Cada semana crescia a olhos vistos para assombro meu e alegria da minha assistente. Aqui vai a progressão semana a semana.

5 de Maio 2014
Atentem ao pedacinho de fio dentário que a minha assistente usou para agarrar o novo rebento. Quando vi parti a rir!

19 de Maio 2014

28 de Maio 2014

29 de Maio 2014
Sim, estas duas últimas fotos têm 1 dia de diferença

5 de Junho de 2014

16 de Junho de 2014.
É a primeira orquídea que tenho que não só me sobrevive à temporada em que a compro como me faz o inverno inteiro e me da flores a dobrar (!) no ano a seguir, daí o meu êxtase. A melhor parte é que foi uma orquídea do Ikea, bem barata até para o preço que têm as orquídeas. Quando penso nos exemplares de 30 e 60 euros que já foram para o lixo fico ainda com mais orgulho da minha pequena, coisa mai linda da minha pessoa. É rija, a tipa.

Truques? Perguntam vocês. Bom, o sistemas de regas foi caricato. Enquanto eu adoptei a ideia do "duche" que tanto gosto e que fiz em exclusivo desde que a Setembro passado a Março sensivelmente (muitas orquídeas já me morreram podres e ensopadas com água a mais), já a minha assistente (mais taradinha por orquídeas do que eu) opta pelos banhos e assim que viu o segundo ramo a crescer, decidiu tomar também conta dela e toca a mergulhá-las. 

Durante meses fiz-me de esquecida e não comprei o 2º vaso que ela tanto pedia para fugir à técnica do ensopamento. Acabei por ceder por motivos puramente estéticos: ter um vaso de plástico com as raízes à mostra fica um bocado desleixado. A partir desse dia o sistema de regas tornou-se uma espécie de "o gato e o rato": Eu dava-lhes o "duche" semanal como tinha vindo a fazer e a minha assistente puxava o vaso, via que não havia água nenhuma e toca a enche-lo e a mergulhar a planta. Eu estremecia-me só de ver e quando ela não estava ia lá e esvaziava o vaso. Ela devia pensar que a planta era uma bebedora voraz, mas como me cansei de argumentar e ela jurava a pés juntos que fazia o mesmo com as delas e estavam lindas, não tive hipótese portanto, se me perguntarem se é melhor água a menos ou a mais a resposta é: não sei. Não faço a mínima ideia do que é que ela gostou mais mas o que interessa é que tem duas pernadas quando a trouxe só com uma e está magnífica. 

Continuo a achar que deixá-las mergulhadas em água apodrece os bolbos. Tenho uma teoria, a casa da minha assistente (pelo que ela me conta) é muito quente e no meu gabinete tenho a planta ao lado de uma janela que nunca se abre mas que leva com sol o dia todo e isso pode ter evitado que os banhos da minha assistente a matassem e a planta tenha resistido ao afogamento.  

Nunca pensei que aqueles brotes minúsculos se fossem transformar no que são hoje. 

A orquídea hoje à tarde.
Está ou não está magnifica? Tem assim uma aura nipónica colossal...



27 Julho 2014

A carta



Li uma carta 5 anos depois. 

Bolas como o tempo passa depressa...! Lembro perfeitamente do dia em que a recebi. "Importas-te se eu não a ler ou queres mesmo que o faça?" Estava tão cansada de conversas, explicações, tentativas e argumentos que só queria congelar o tempo ou desaparecer, não ouvir mais nada. Não tinha forças para mais. A pergunta podia parecer absurda mas não entre nós. "Não, é como quiseres". Sempre gostei do respeito que tínhamos um pelo outro. Umas das melhores coisas que aquela relação teve foi essa. Tive muita sorte.

A carta ficou esquecida até hoje, dia em que uma arrumação lhe deu luz de novo. Acredito que há momentos que têm o seu momento (e repeti de propósito). Este foi um deles. Uma carta que poderia ter sido um sufoco há 5 anos atrás foi, esta noite, absolutamente inócua e de certa forma apaziguadora.  5 anos.  É por isso que cada dia vivo mais devagar.